Tempografia

Nos dias de hoje não temos tempo para perder, para ler poesia, para imprimir com tipos móveis, etc. . . .
É curioso pensar também que, o próprio clichê já era, há muito tempo atrás, um meio de “ganhar tempo” ao imprimir textos numa prensa tipográfica.

Cada vez mais a sociedade contemporânea quer “ganhar esse tempo”, o que para a concepção de uma obra artística é absolutamente infrutífero, por isso eu resolvi “perder tempo” imprimindo uma parte do meu livro num prelo maravilhoso, aprendendo com seu ritmo e sua teimosia lenta.

No momento não deu, mas eu gostaria de ter produzido meu livro inteiro em tipografia. Por vários motivos: o peso visível dos tipos no papel, o relevo que eles deixam no suporte, por mais finos que sejam, são extremamente importantes para mim e para o trabalho que faço com poesia. Um dia ainda produzo um livro como Mallarmé e outros grandes mestres faziam há quase um século atrás, com suas prensas e seus toques vanguardistas, seu suor impresso em cada página, suas digitais “escondidas” em cada uma das folhas . . .

O livro de poesia concreta (sem título) é uma produção independente do escritor, músico e ator Fabio Manzione. A obra, possui paginação não definitiva permitindo que os poemas possam ser reorganizados ou explorados como complementos uns dos outros. Todos os exemplares foram montados artesanalmente e impressos em serigrafia, offset, tipografia e carimbo manual.

simplicidade e pureza

“Minha vida artística se resume em uma – quase insana – busca pela simplicidade e pureza das coisas. Desafio difícil nos dias atuais, em que pouco se sabe de onde as coisas vieram, como foram produzidas e muito menos o rosto de quem as faz.

Até a tarefa de trazer ao mundo meu cartão de visitas parecia um esforço imenso, ao tentar fugir do ato automático de
“fechar o arquivo, mandar para a gráfica e imprimir em couchê fosco”.

Meu objetivo com isto era tornar consciente o ato de entregar a alguém um objeto que, além de representar meu trabalho, também pudesse carregar uma boa história e, principalmente, os meus valores.

Nada disso teria sido possível sem a Platen Press Print Shop, que foi capaz de tornar doce uma tarefa
que antes parecia extremamente amarga.”

Marcelo Oséas Photography

A mais bela imperfeição

Em um primeiro olhar, não demos a devida importância e cogitamos nem carregar esses blocos de madeira com uma tipologia “rústica”, afinal, ela não tinha as curvas e a exatidão de uma fonte dentro dos padrões da grande maioria das pessoas. Hoje, se tornou a minha favorita, e é única. Uma família inteira feita à mão, uma a uma, por seu antigo proprietário e inventor. Definitivamente, coisas bonitas não pedem por atenção. Estou pensando em batizá-la e acredito que “Cordellis” (de Cordel), cairia bem. O que acham? Aceito sugestões.

Isso vale para todas as artes. O tédio de viver e de querer estanca na porta de qualquer ateliê.

Jacques Maritain

Type everywhere

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Interpolando ideias

Filha de um tipógrafo, Beth Klock cresceu brincando com provas de impressão.
Substituiu o papel, tela e tinta por sutis gestos de seu dedo com a tecnologia digital.
Ao produzir seu primeiro cartão pessoal, retornou à sua origem e viu serem impressas
suas primeiras provas de impressão em uma Minerva tipográfica de pedal.

Digital e artesanal, sim, dialogam e se complementam.