Longa jornada

Esse “prelinho” e “eu” temos longa história.

Foi um dos primeiros que ví, e foi paixão à primeira vista. Seu antigo proprietário disse que nunca, nunca, venderia essa máquina  e por dinheiro algum, isso há 8 anos atrás. Tem 4 anos que eu sou o proprietário, e ela demorou 3 anos e meio para ficar do jeito que deveria ser.

Começamos o trabalho 3 meses atrás, e como não poderia deixar de ser, ela reescreveu outra história. Passou por todos os processos que deveria.

Da cor original, passou por jato de areia para eliminar qualquer resquício do que foi um dia. Em estado bruto e como veio ao mundo, em puro ferro fundido, começamos a imaginar como “ela” seria.

O resultado antes, durante e o depois, é dito por imagens!

Letterofobia

Inglês – Português – letter
s. carta; letra; significado literal; literatura, boa literatura
v. marcar com letras, rotular
Etm. do grego: phóbos
Receio patológico persistente. Sentimento exagerado de medo ou aversão a água, escuro, aranhas, insetos etc.

Perfeição e imperfeição..

Tênue e instável a linha que faz esta fronteira. O que é o perfeito ou o imperfeito? É somente um caminho. Dar-se a chance de criar o perfeito a partir de imperfeições. Liberar-se das correntes do controle para, no descontrole, encontrar a receita exata da intenção, da sugestão, da emoção e da razão. Viver o caminho e suas imprevisibilidades, e neles, enxergar viabilidades escondidas, para depois alcançar a beleza do resultado.

Essa é a Letterofobia, deixar o literal para ser as entrelinhas.

Tempografia

Nos dias de hoje não temos tempo para perder, para ler poesia, para imprimir com tipos móveis, etc. . . .
É curioso pensar também que, o próprio clichê já era, há muito tempo atrás, um meio de “ganhar tempo” ao imprimir textos numa prensa tipográfica.

Cada vez mais a sociedade contemporânea quer “ganhar esse tempo”, o que para a concepção de uma obra artística é absolutamente infrutífero, por isso eu resolvi “perder tempo” imprimindo uma parte do meu livro num prelo maravilhoso, aprendendo com seu ritmo e sua teimosia lenta.

No momento não deu, mas eu gostaria de ter produzido meu livro inteiro em tipografia. Por vários motivos: o peso visível dos tipos no papel, o relevo que eles deixam no suporte, por mais finos que sejam, são extremamente importantes para mim e para o trabalho que faço com poesia. Um dia ainda produzo um livro como Mallarmé e outros grandes mestres faziam há quase um século atrás, com suas prensas e seus toques vanguardistas, seu suor impresso em cada página, suas digitais “escondidas” em cada uma das folhas . . .

O livro de poesia concreta (sem título) é uma produção independente do escritor, músico e ator Fabio Manzione. A obra, possui paginação não definitiva permitindo que os poemas possam ser reorganizados ou explorados como complementos uns dos outros. Todos os exemplares foram montados artesanalmente e impressos em serigrafia, offset, tipografia e carimbo manual.

simplicidade e pureza

“Minha vida artística se resume em uma – quase insana – busca pela simplicidade e pureza das coisas. Desafio difícil nos dias atuais, em que pouco se sabe de onde as coisas vieram, como foram produzidas e muito menos o rosto de quem as faz.

Até a tarefa de trazer ao mundo meu cartão de visitas parecia um esforço imenso, ao tentar fugir do ato automático de
“fechar o arquivo, mandar para a gráfica e imprimir em couchê fosco”.

Meu objetivo com isto era tornar consciente o ato de entregar a alguém um objeto que, além de representar meu trabalho, também pudesse carregar uma boa história e, principalmente, os meus valores.

Nada disso teria sido possível sem a Platen Press Print Shop, que foi capaz de tornar doce uma tarefa
que antes parecia extremamente amarga.”

Marcelo Oséas Photography

A mais bela imperfeição

Em um primeiro olhar, não demos a devida importância e cogitamos nem carregar esses blocos de madeira com uma tipologia “rústica”, afinal, ela não tinha as curvas e a exatidão de uma fonte dentro dos padrões da grande maioria das pessoas. Hoje, se tornou a minha favorita, e é única. Uma família inteira feita à mão, uma a uma, por seu antigo proprietário e inventor. Definitivamente, coisas bonitas não pedem por atenção. Estou pensando em batizá-la e acredito que “Cordellis” (de Cordel), cairia bem. O que acham? Aceito sugestões.